A crise na economia brasileira chegou a preocupar as startups

Terça, 06 Dezembro 2016 15:15 Escrito por 
A crise na economia brasileira chegou a preocupar as startups

A crise na economia brasileira chegou a preocupar as startups; mas o impacto foi pouco sentido. O setor das empresas de tecnologia trouxe soluções de eficiência e produtividade para mercados tradicionais e atraiu o capital das grandes empresas.

Agora, o ecossistema espera que o próximo ano seja ainda melhor do que este. Durante o Case 2016 (Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo), Amure Pinho, presidente da ABStartups (Associação Brasileira de Startups), Manoel Lemos, sócio do fundo de venture capital Redpoint eventures, e Arthur Garutti, COO da aceleradora ACE, contaram a Pequenas Empresas & Grandes Negócios o que esperam de 2017 para o ecossistema de startups no Brasil.

Setores
A tecnologia aplicada à agricultura é uma das grandes apostas para o próximo ano. O setor de construção civil, que sofreu na crise econômica, também é promissor para as startups. “As empresas podem aprimorar a gestão de projetos, melhorar a produtividade da cadeia e oferecer novos sistemas construtivos”, afirma Arthur Garutti, da ACE.

Soluções para cidades inteligentes, como ferramentas de comunicação e mobilidade, estão ganhando espaço. As estrelas do último ano, as fintechs, devem continuar transformando o mercado financeiro. Amure Pinho, da ABStartups, ressalta também as oportunidades em saúde, como ferramentas para o paciente encontrar médicos e alternativas inovadoras aos planos de saúde tradicionais. “Educação é outra área de destaque, sobretudo as soluções voltadas para o estudo para o Enem e o vestibular”, afirma Pinho.

Modelo de negócio
O SaaS (software como serviço) se consolidou como formato e deve continuar assim no próximo ano. “A receita constante vem de mensalidade. Em alguns casos, as startups cobram um valor maior pela implantação e depois recebem pagamentos mensais”, diz Pinho. Segundo Garutti, o mercado B2B traz mais oportunidades no Brasil do que o B2C. “O investidor tem mais apetite para o B2B, que costuma ter um modelo de monetização mais rápido.

Empreendedores
O amadurecimento do mercado nos últimos anos delineou um ecossistema mais preparado para receber investimentos e crescer. “O empreendedor tem pensado mais em planejamento financeiro. Ele aprendeu que não basta ter uma ideia. Os pitches têm mais qualidade”, afirma Garutti.

Para Manoel Lemos, da Redpoint eventures, a crise trouxe uma vantagem: muitos especialistas saíram da grande indústria e levaram a sua expertise para as startups, seja como empreendedores, seja como colaboradores. “Tem muita gente boa disponível e fica mais fácil atrair talentos para as startups”, diz Lemos.

Investidores
As perspectivas de melhora na economia devem elevar a confiança do investidor internacional, que tem visto o Brasil como um mercado de risco elevado. “Estamos vendo uma mudança no humor desses investidores”, afirma Lemos.

Outro aspecto que está mudando é o preenchimento de “gaps” nos estágios de investimento. Por exemplo: as empresas brasileiras têm recebido aportes maiores na série A para poder captar investimento de série B nos Estados Unidos. Naquele país, o volume de capital injetado no início da empresa costuma ser mais alto.

Corporate ventures
A participação de grandes empresas – como investidores, criadores de programas de aceleração e apoiadores de espaços de coworking – deve se fortalecer em 2017. “As corporações descobriram as startups e têm entendido melhor como fazer negócios com os empreendedores. Vamos surfar uma onda boa agora. Isso traz liquidez para o mercado”, diz Lemos.

Saídas
A incorporação de startups por grandes players do mercado nacional vai continuar acontecendo no ano que vem. Essa é uma das grandes oportunidades de saída dos investidores que aportaram em empresas em estágio inicial. “Essa será a maior aposta de exit. A segunda é a compra das startups por grandes empresas globais”, diz Garutti.

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